____A disciplina de Relações Internacionais tem desempenhado um grande papel na produção científica sobre diferenciados temas, abordando questões culturais, econômicas, políticas, ideológicas, metodológicas e meta-teóricas. Para Bedin (2004), o resultado da evolução disciplinar das relações internacionais, no século XX, permitiu que se elaborassem modelos teóricos interpretativos, e que os mesmos fossem designados de paradigmas. Ao entender o paradigma como uma visão e interpretação dos fenômenos internacionais amparado por um método, podemos enquadrar o Realismo como sendo um dos principais paradigmas das Relações Internacionais.
____Gilpin, em seu artigo The richness of the Tradition of Political Realism, afirma que o Realismo deve ser visto como uma disposição filosófica, e não uma teoria científica no senso stricto, neste sentido o autor critica alguns teóricos neorealistas pela demasiada busca pela cientificidade da disciplina. De qualquer maneira, o autor relata que a fundação do realismo está centrada no pensamento pessimista sobre o progresso moral e as possibilidades humanas.
____Sendo assim, todos os escritores realistas compartilham entre si três premissas sobre a vida política. A primeira é o reconhecimento da natureza conflituosa que permeia as relações internacionais. Neste caso a anarquia é a regra, já a ordem, justiça e a moralidade são as exceções. Mearsheimer contribui para o entendimento das características da anarquia, segundo o ele, em um ambiente anárquico não há instituição internacional capaz de estabelecer a ordem ou punir potenciais Estados agressores, sendo assim todos os Estados são ameaças em potencial. Neste sentido, não há espaço para confiança, cada Estado deve garantir sua sobrevivência, uma vez que a traição em eventuais alianças ou acordos é uma possibilidade. Gilpin relata que na anarquia a arbitrariedade das relações políticas se dá pelo poder, neste caso, Mearsheimer complementa que os Estados para sobreviver procuram maximizar seu poder relativo à outros Estados, assim, procuram oportunidades de enfraquecer adversários em potencial e melhorar a posição de seu poder relativo. O próprio autor reconhece em seu artigo o seu pessimismo em relação à natureza dos Estados.
____A segunda premissa de Gilpin sobre o realismo é que a essência da realidade social é o grupo. Sendo assim, a construção de blocos ou unidades de vida social e política não são resultados do pensamento liberal do indivíduo ou da luta de classes. É na realidade um “conflito de grupos”, onde os seres humanos na disputa por recursos se organizam como membros de um grupo, e não como indivíduos isolados. Assim, os escritores realistas reconhecem o Estado-nação como sendo o “grupo” mais importante do sistema internacional na atualidade. Porém, Gilpin cogita que uma mudança de nome, tamanho e organização destes grupos é possível através das mudanças econômicas e demográficas, e pelos fatores tecnológicos. O que não é possível, segundo o autor, é uma mudança na essência natural do conflito intergrupal.
____A terceira premissa é própria de nossa natureza, Gilpin a define como motivação humana. Sendo assim, o autor expõe que a humanidade é motivada especialmente pelo poder e segurança. Todos os outros valores, bondade, beleza, lealdade serão dispensados ao não haver segurança no duelo pelo poder entre os diferentes grupos sociais.
____Em seu artigo, Gilpin deixa claro que existem diferenças pontuais entre os realistas clássicos e as aproximações realistas mais contemporâneas. Essas diferenças são marcadas pelo contexto histórico em que escreveram os principais autores clássicos, que para Gilpin são Tucídides, Maquiavel e Carr (pode se contestar a definição destes autores como realistas clássicos, uma vez que os mesmos estavam envolvidos em outro contexto). De qualquer maneira, Gilpin exalta que: não há diferenças significativas sobre a natureza do pensamento realista político; procedimentos metodológicos; o papel dos fatores econômicos; a concepção do Estado e a influência da estrutura no comportamento estatal. Sendo assim, não houve uma ruptura entre o realismo clássico e as aproximações contemporâneas, como propõe Ashley.
GILPIN, Robert G. The Richness of the Tradition of Political Realism. International Organization, Vol. 38, No. 2 (Spring, 1984), pp. 287-304Published
sexta-feira, 4 de maio de 2012
sexta-feira, 27 de abril de 2012
O Realismo em ação: Back to the Future e um "viva" as armas nucleares
____No artigo Back to the future: Instability in Europe after the cold war, Mearsheimer adota em sua analise elementos essenciais do pensamento realista. Primeiro, o autor é pessimista sobre o comportamento e as motivações humanas, o ser humano é motivado pelo poder e pela segurança. Segundo, o Estado para Mearsheimer é o ator central nas relações internacionais, e procura sobreviver em um ambiente anárquico através da maximização de seu poder. Essa luta pela sobrevivência é definida pelo elemento realista da anarquia, quando o autor define o sistema internacional como um ambiente anárquico, o mesmo presume que não há instituição capaz de proteger os Estados um dos outros, desta maneira o Estado deve garantir sua própria existência através do poder, que para Mearsheimer está ligado a capacidade militar que o mesmo possui.
____Ao elevar a segurança como influencia do aparato militar de um Estado, Mearsheimer estabelece que a paz na Europa durante a Guerra Fria é resultado da bipolaridade, da proximidade da balança militar das grandes superpotências, e a presença de um arsenal de armas nucleares nos dois lados da balança. O autor procura focar sua analise no papel desempenhado pelas armas nucleares, e que ainda poderão desempenhar para a manutenção da paz da Europa em uma possível mudança estrutural do sistema, neste caso bipolaridade entre Estados Unidos e União Soviética se extingue, transformando o cenário em uma estrutura multipolar, que para o autor aumenta a chance de conflitos entre os países do velho continente.
____Para manter a segurança na Europa, Mearsheimer disponibiliza três politicas a serem desempenhadas pelos atores. Primeiro, os Estados Unidos deveriam encorajar e manusear cuidadosamente a proliferação de armas nucleares. Segundo, Estados Unidos e Inglaterra deveriam permanecer ativos na Europa, e exercer a balança de poder com qualquer outro Estado agressor emergente. Terceiro, Um esforço conjunto deveria ser realizado no combate ao hipernacionalismo.
Ele desconhece todos os outros meios de segurança: liberalismo econômico e democracias.
____
Referências:
MEARSHEIMER, John J. Back to the Future: Instability in Europe after the Cold War. International Security, Vol. 15, No. 1. (Summer, 1990), pp. 5-56.
____Ao elevar a segurança como influencia do aparato militar de um Estado, Mearsheimer estabelece que a paz na Europa durante a Guerra Fria é resultado da bipolaridade, da proximidade da balança militar das grandes superpotências, e a presença de um arsenal de armas nucleares nos dois lados da balança. O autor procura focar sua analise no papel desempenhado pelas armas nucleares, e que ainda poderão desempenhar para a manutenção da paz da Europa em uma possível mudança estrutural do sistema, neste caso bipolaridade entre Estados Unidos e União Soviética se extingue, transformando o cenário em uma estrutura multipolar, que para o autor aumenta a chance de conflitos entre os países do velho continente.
____Para manter a segurança na Europa, Mearsheimer disponibiliza três politicas a serem desempenhadas pelos atores. Primeiro, os Estados Unidos deveriam encorajar e manusear cuidadosamente a proliferação de armas nucleares. Segundo, Estados Unidos e Inglaterra deveriam permanecer ativos na Europa, e exercer a balança de poder com qualquer outro Estado agressor emergente. Terceiro, Um esforço conjunto deveria ser realizado no combate ao hipernacionalismo.
Ele desconhece todos os outros meios de segurança: liberalismo econômico e democracias.
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Referências:
MEARSHEIMER, John J. Back to the Future: Instability in Europe after the Cold War. International Security, Vol. 15, No. 1. (Summer, 1990), pp. 5-56.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Corrida energética dos Estados Unidos e China na África
Durante muito tempo as maiores preocupações dos países circulavam em torno da potência de sua frota militar. Desde o surgimento das nações até as ultimas décadas a dimensão militar de segurança internacional sempre foi o foco das políticas de defesa dos governos como meio de proteger seus objetivos centrais: manutenção do território, segurança à população, e a legitimidade de seu país como ator internacional.
Porém essa perspectiva de segurança que dominou o cenário durante a Guerra Fria ruiu assim como o muro de Berlim em 1989. Não que a mesma tenha desaparecido, o que podemos notar é a ascensão de outras preocupações além do foco na ameaça militar. Neste contexto recente podemos incluir a segurança econômica como a grande ameaça a falência das nações, e é nesta dimensão de segurança que se concentram os maiores esforços dos países. Um país com economia estável é sinônimo de prosperidade social.
Podemos nos perguntar então, O que mantem o “motor” da economia de um país? As respostas são as mais criativas e diferentes possíveis, porém uma variável em comum pode ser citada: energia. Sem segurança energética não temos condições de fomentar as empresas e organizações. Pense no quanto é difícil ficar poucas horas sem energia, agora imagine um setor da economia, uma região do país, ou até mesmo o país inteiro.
Para evitar esse caos, China e Estados Unidos travam um verdadeiro duelo político e diplomático na África. Com mais de 9% de todo o petróleo do mundo, esse continente é uma boa alternativa de diversificação nas fontes energéticas. Além disso, proporciona um escape da dependência da instabilidade do Oriente Médio e Ásia Central, aumento dos laços comerciais e influência geopolítica na região.
A China iniciou sua estratégia política em direção à África no final da década de 1980, o continente se caracterizava por possuir pouca influência das empresas norte-americanas e europeias, abrindo assim um caminho à exploração e uma alternativa de venda do petróleo por parte dos governos africanos. Os primeiros projetos de expansão energética se concentravam em Angola, República Democrática do Congo e Sudão. Hoje já somam 27 projetos em 14 países do continente africano.
Além dos investimentos diretos no setor energético, a China tratou de gerar uma imagem positiva de sua presença na África. Para isso alguns investimentos indiretos foram realizados, especialmente na década de 1990, como: estradas, aeroportos, fábricas têxtis, centrais de energia elétrica, cancelamento da dívida externa de 34 países e, outros programas de caráter social e assistencialistas.
Porém o sucesso deste país na África está nos seus acordos bilaterais e na maneira como são realizados. A China possui excelentes acordos com Angola e Sudão, este último revelasse um dos melhores do mundo no setor energético, devido às facilidades e baixos encargos proporcionados na exploração e exportação do petróleo. Além dos acordos, a China adota uma política de “não-intervenção” perante os assuntos internos dos países da região. Exemplo claro são as constantes consultas realizadas aos governos africanos antes de efetuar eventuais assinaturas na Organização das Nações Unidas (ONU) e que venham a prejudicar determinado país africano. Lembrando que a China possui o poder do veto, portanto, facilitando muito suas decisões no âmbito da ONU.
Na medida em que a China aumenta seus investimentos no continente, a mesma eleva sua influência política, e queira ou não, estará agindo como um ator de interferência no cenário interno dos países da região. Podemos notar que nos últimos anos o país tem participado ativamente das organizações multilaterais do continente, assim como nas negociações em âmbito bilateral, auxiliando nos conflitos internos e em suas negociações. Portanto, a China perde aos poucos o que foi o sucesso de sua inserção no setor energético africano: a política de “não-interferência”.
A África representa para os EUA 22% do total da importação de petróleo, igualando-se ao oriente-médio como principal fornecedor energético para o país. Diferente da China, a política norte-americana baseia-se na intervenção nos assuntos internos, o que vem a desgastar a imagem deste país no continente, exemplo claro disso são os recentes bombardeios à Líbia efetuados pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
Para efetuar seus investimentos, o governo estadunidense presa por algumas variáveis como: combate a corrupção, pirataria e terrorismo; estabilidade política, ética e religiosa; e governos simpatizantes. Convenhamos que a situação da maioria dos países africanos passa longe do desejado pelos norte-americanos, porém como meio a atingir essas variáveis básicas os EUA desenvolvem “programas de segurança”, além das constantes intervenções militares.
E é justamente em oposição à política de imposição estadunidense que a China emerge como grande concorrente do setor energético e geopolítico. Os EUA tem perdido muita credibilidade com os governos africanos, especialmente após as intervenções militares na Líbia. A China surge como comprador seguro do petróleo africano, além da garantia de que “missões de paz” ocidentais nos países da África poderão ser evitadas.
Porém essa perspectiva de segurança que dominou o cenário durante a Guerra Fria ruiu assim como o muro de Berlim em 1989. Não que a mesma tenha desaparecido, o que podemos notar é a ascensão de outras preocupações além do foco na ameaça militar. Neste contexto recente podemos incluir a segurança econômica como a grande ameaça a falência das nações, e é nesta dimensão de segurança que se concentram os maiores esforços dos países. Um país com economia estável é sinônimo de prosperidade social.
Podemos nos perguntar então, O que mantem o “motor” da economia de um país? As respostas são as mais criativas e diferentes possíveis, porém uma variável em comum pode ser citada: energia. Sem segurança energética não temos condições de fomentar as empresas e organizações. Pense no quanto é difícil ficar poucas horas sem energia, agora imagine um setor da economia, uma região do país, ou até mesmo o país inteiro.
Para evitar esse caos, China e Estados Unidos travam um verdadeiro duelo político e diplomático na África. Com mais de 9% de todo o petróleo do mundo, esse continente é uma boa alternativa de diversificação nas fontes energéticas. Além disso, proporciona um escape da dependência da instabilidade do Oriente Médio e Ásia Central, aumento dos laços comerciais e influência geopolítica na região.
A China iniciou sua estratégia política em direção à África no final da década de 1980, o continente se caracterizava por possuir pouca influência das empresas norte-americanas e europeias, abrindo assim um caminho à exploração e uma alternativa de venda do petróleo por parte dos governos africanos. Os primeiros projetos de expansão energética se concentravam em Angola, República Democrática do Congo e Sudão. Hoje já somam 27 projetos em 14 países do continente africano.
Além dos investimentos diretos no setor energético, a China tratou de gerar uma imagem positiva de sua presença na África. Para isso alguns investimentos indiretos foram realizados, especialmente na década de 1990, como: estradas, aeroportos, fábricas têxtis, centrais de energia elétrica, cancelamento da dívida externa de 34 países e, outros programas de caráter social e assistencialistas.
Porém o sucesso deste país na África está nos seus acordos bilaterais e na maneira como são realizados. A China possui excelentes acordos com Angola e Sudão, este último revelasse um dos melhores do mundo no setor energético, devido às facilidades e baixos encargos proporcionados na exploração e exportação do petróleo. Além dos acordos, a China adota uma política de “não-intervenção” perante os assuntos internos dos países da região. Exemplo claro são as constantes consultas realizadas aos governos africanos antes de efetuar eventuais assinaturas na Organização das Nações Unidas (ONU) e que venham a prejudicar determinado país africano. Lembrando que a China possui o poder do veto, portanto, facilitando muito suas decisões no âmbito da ONU.
Na medida em que a China aumenta seus investimentos no continente, a mesma eleva sua influência política, e queira ou não, estará agindo como um ator de interferência no cenário interno dos países da região. Podemos notar que nos últimos anos o país tem participado ativamente das organizações multilaterais do continente, assim como nas negociações em âmbito bilateral, auxiliando nos conflitos internos e em suas negociações. Portanto, a China perde aos poucos o que foi o sucesso de sua inserção no setor energético africano: a política de “não-interferência”.
A África representa para os EUA 22% do total da importação de petróleo, igualando-se ao oriente-médio como principal fornecedor energético para o país. Diferente da China, a política norte-americana baseia-se na intervenção nos assuntos internos, o que vem a desgastar a imagem deste país no continente, exemplo claro disso são os recentes bombardeios à Líbia efetuados pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
Para efetuar seus investimentos, o governo estadunidense presa por algumas variáveis como: combate a corrupção, pirataria e terrorismo; estabilidade política, ética e religiosa; e governos simpatizantes. Convenhamos que a situação da maioria dos países africanos passa longe do desejado pelos norte-americanos, porém como meio a atingir essas variáveis básicas os EUA desenvolvem “programas de segurança”, além das constantes intervenções militares.
E é justamente em oposição à política de imposição estadunidense que a China emerge como grande concorrente do setor energético e geopolítico. Os EUA tem perdido muita credibilidade com os governos africanos, especialmente após as intervenções militares na Líbia. A China surge como comprador seguro do petróleo africano, além da garantia de que “missões de paz” ocidentais nos países da África poderão ser evitadas.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
A crise na Grécia é os reflexos na Economia Brasileira
__A zona do euro tem enfrentado grande instabilidade e desconfiança nos últimos meses, os países da região enfrentam tanto problemas financeiros como políticos. Como problema financeiro a Grécia é o melhor exemplo e, não podemos deixar de citar os escândalos políticos de Berlusconi na Itália, o qual deverá deixar o cargo de primeiro ministro em breve. De um jeito ou de outro, sendo no setor político ou financeiro, o certo que a União Europeia enfrenta hoje sua grande crise do século XXI.
__Limitamo-nos à análise das ações gregas e sua influencia no mercado brasileiro. A Grécia tem enfrentado revoltas populares e dificuldades para refinanciar suas dividas, o resultado é a desconfiança dos investidores de todo mundo sobre sua real situação econômica. Para tentar solucionar de vez esse problema que já se estende por a UE junto com a Grécia estabeleceu uma serie de planos e políticas econômicas para tentar controlar o efeito da crise e impedir que se espalhe para outros países do Grupo. A Grécia possui dividas de mais de 150% do PIB, não obstante o governo greco tem aceitado os pacotes oferecidos pelo FMI e outros países europeus os quais já passam da casa dos 200 bilhões de euros.
__Para que essa medida fosse possível a Grécia se dispôs a realizar uma série de medidas internas: redução dos gastos públicos; diminuição dos salários estatais; aumento dos impostos; e mais recentemente a formação de um governo de coalização com a participação do governo e oposição, o que se espera é ao menos o controle político da situação, já que o econômico será lento e longo.
__Pode a crise grega afetar a economia brasileira? Segundo especialistas da área, individualmente a Grécia não tem essa influencia negativa em nosso mercado, porem a partir do momento em que toda a zona do euro, ou países chaves como França, Itália, Espanha e principalmente Alemanha forem contaminados por essa instabilidade, certamente o Brasil sentiria a crise, resultando na volatilidade da moeda e das bolsas de valores. Algumas dessas variáveis já podem ser observadas nos últimos meses, como as quedas constantes na bolsa de valores e a alta do dólar em relação ao Real. Essas ações influenciam diretamente no controle da inflação, elevando-a acima da meta estabelecida pelo Banco Central. O próprio FMI afirma que se a crise da Grécia se espalhar para a zona do euro o Brasil será fortemente afetado em seu mercado financeiro, devido à dependência que possui sobre o movimento de capitais internacionais.
__Nos últimos dois anos 2/3 do capital internacional que entrou no Brasil vieram da zona do euro, se este fluxo baixar a demanda do mercado doméstico poderia enfraquecer, além disso, o Brasil é um grande exportador de commodities para a UE uma crise nesta região diminuiria os preços internacionais desses produtos, afetando setores importantes de nossa economia. Os pequenos impactos da crise podem ser observados à medida que o Banco central faz alguns cortes na taxa Selic reduzindo 50 bps para 11,50%, medida plausível pela população porém negativa para os investidores internacionais.
__A Grécia é uma grande lição para o governo brasileiro, demonstra ao mundo como é importante ter uma boa política fiscal, controlando gastos mesmo em tempos de bonança. É por isso que o Brasil está conseguindo lidar bem com as crises atuais. A Grécia fez exatamente o contrário: aumentou seus gastos nos tempos de fartura e, agora, estão vendo o resultado dessa escolha. Hoje o Brasil se destaca por sua solidez, porém é preciso persistir no controle fiscal, principalmente num país que tem um passado tão tumultuado e um presente tão corrupto. Até o momento, os impactos da crise sobre o Brasil foram muito pequeno, muito menor do que seriam tempos atrás.
REFERÊNCIAS
LORENZO, Francine. A grande lição da Grécia ao Brasil. 2011. Disponível em: < http://exame.a bril.com.br/economia/noticias/grande-licao-grecia-ao-brasil-537680>Acesso em: 06 nov.2011.
ROSSITER, Sheena. Eurozone debt crisis effects Latin America. 2011. Disponível em: < http://www.presstv.ir/detail/208249.html> Acesso em: 06 nov 2011.
GLOBO. Premiê e oposição chegam a acordo para governo de coalizão na Grécia. 2011. Disponível em: < http://g1.globo.com/economia/noticia/2011/11/premie-e-oposicao-chegam-acordo-para-governo-de-coalizao-na-grecia.html> Acesso em: 06 nov 2011.
LATIN AMERICA MONITOR. Global Growth Slowdown Impact Assessment. 2011. Disponível em: < http://connection.ebscohost.com/c/articles/65830451/global-growth-slowdown-impact-assessment> Acesso em: 06 nov 2011.
BRASIL. Copom reduz a taxa Selic para 11,50% ao ano. Disponível em: < http://www.bc b.gov.br/textonoticia.asp?codigo=3267&IDPAI=NOTICIAS> Acesso em: 06 nov 2011.
__Limitamo-nos à análise das ações gregas e sua influencia no mercado brasileiro. A Grécia tem enfrentado revoltas populares e dificuldades para refinanciar suas dividas, o resultado é a desconfiança dos investidores de todo mundo sobre sua real situação econômica. Para tentar solucionar de vez esse problema que já se estende por a UE junto com a Grécia estabeleceu uma serie de planos e políticas econômicas para tentar controlar o efeito da crise e impedir que se espalhe para outros países do Grupo. A Grécia possui dividas de mais de 150% do PIB, não obstante o governo greco tem aceitado os pacotes oferecidos pelo FMI e outros países europeus os quais já passam da casa dos 200 bilhões de euros.
__Para que essa medida fosse possível a Grécia se dispôs a realizar uma série de medidas internas: redução dos gastos públicos; diminuição dos salários estatais; aumento dos impostos; e mais recentemente a formação de um governo de coalização com a participação do governo e oposição, o que se espera é ao menos o controle político da situação, já que o econômico será lento e longo.
__Pode a crise grega afetar a economia brasileira? Segundo especialistas da área, individualmente a Grécia não tem essa influencia negativa em nosso mercado, porem a partir do momento em que toda a zona do euro, ou países chaves como França, Itália, Espanha e principalmente Alemanha forem contaminados por essa instabilidade, certamente o Brasil sentiria a crise, resultando na volatilidade da moeda e das bolsas de valores. Algumas dessas variáveis já podem ser observadas nos últimos meses, como as quedas constantes na bolsa de valores e a alta do dólar em relação ao Real. Essas ações influenciam diretamente no controle da inflação, elevando-a acima da meta estabelecida pelo Banco Central. O próprio FMI afirma que se a crise da Grécia se espalhar para a zona do euro o Brasil será fortemente afetado em seu mercado financeiro, devido à dependência que possui sobre o movimento de capitais internacionais.
__Nos últimos dois anos 2/3 do capital internacional que entrou no Brasil vieram da zona do euro, se este fluxo baixar a demanda do mercado doméstico poderia enfraquecer, além disso, o Brasil é um grande exportador de commodities para a UE uma crise nesta região diminuiria os preços internacionais desses produtos, afetando setores importantes de nossa economia. Os pequenos impactos da crise podem ser observados à medida que o Banco central faz alguns cortes na taxa Selic reduzindo 50 bps para 11,50%, medida plausível pela população porém negativa para os investidores internacionais.
__A Grécia é uma grande lição para o governo brasileiro, demonstra ao mundo como é importante ter uma boa política fiscal, controlando gastos mesmo em tempos de bonança. É por isso que o Brasil está conseguindo lidar bem com as crises atuais. A Grécia fez exatamente o contrário: aumentou seus gastos nos tempos de fartura e, agora, estão vendo o resultado dessa escolha. Hoje o Brasil se destaca por sua solidez, porém é preciso persistir no controle fiscal, principalmente num país que tem um passado tão tumultuado e um presente tão corrupto. Até o momento, os impactos da crise sobre o Brasil foram muito pequeno, muito menor do que seriam tempos atrás.
REFERÊNCIAS
LORENZO, Francine. A grande lição da Grécia ao Brasil. 2011. Disponível em: < http://exame.a bril.com.br/economia/noticias/grande-licao-grecia-ao-brasil-537680>Acesso em: 06 nov.2011.
ROSSITER, Sheena. Eurozone debt crisis effects Latin America. 2011. Disponível em: < http://www.presstv.ir/detail/208249.html> Acesso em: 06 nov 2011.
GLOBO. Premiê e oposição chegam a acordo para governo de coalizão na Grécia. 2011. Disponível em: < http://g1.globo.com/economia/noticia/2011/11/premie-e-oposicao-chegam-acordo-para-governo-de-coalizao-na-grecia.html> Acesso em: 06 nov 2011.
LATIN AMERICA MONITOR. Global Growth Slowdown Impact Assessment. 2011. Disponível em: < http://connection.ebscohost.com/c/articles/65830451/global-growth-slowdown-impact-assessment> Acesso em: 06 nov 2011.
BRASIL. Copom reduz a taxa Selic para 11,50% ao ano. Disponível em: < http://www.bc b.gov.br/textonoticia.asp?codigo=3267&IDPAI=NOTICIAS> Acesso em: 06 nov 2011.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Michel Serres e a evolução da humanidade
“Eu tinha um professor, que era um homem admirável. Ele descrevia a maneira de como o homem se levantou, dizia ele: ‘ele estava de quatro e se levantou’, e ele nos mostrava ficando de quatro, mostrava que as duas mãos sustentavam o corpo, e quando o corpo levantou dizia ele: ‘as mãos perderam a função de sustentar, mas adquiriram a função de pegar’, portanto a mão apareceu. Mas, antes quando estávamos de quatro, a boca tinha a função de pegar, já que as mãos estavam ocupadas, portanto a boca perdeu a função de pegar, não é? Mas ela ganhou a função de falar. E desde que este professor me explicou tal fenômeno, tornei-me um homem otimista, por quê? Porque ouço todo mundo dizer: ‘perdemos o humanismo, perdemos os valores, perdemos a memoria, os jovens já não tem mais memoria, não tem imaginação por causa das imagens, não tem a possibilidade de fazer cálculos, porque existe a calculadora’. Mas é melhor assim, não é? Porque é justamente quando se perde a função, que se percebe que perder a sustentação não é nada, já que os pés dão conta. Mas ganhar as mãos, nos tornou uma espécie que pode ser pianista, ou então cirurgião, ou prestidigitador. As mãos são um órgão extraordinário. Portanto se ganha muito mais do que se perde. Perder isto ou aquilo implica em ganhar coisas extraordinárias. Por quê? Porque de certa maneira, mesmo o cérebro perdeu algumas coisas e esta livre para inventar. E, enquanto historiador da ciência, posso testemunhar isso. É porque no renascimento perdeu-se a memória da erudição, que se inventaram as ciências experimentais. Porque ao invés de copiar as ciências em livros, olhava-se apenas a realidade das coisas. Sou otimista por causa disto.”
Entrevista realizada pelo programa Roda Viva da TV Cultura no dia 7 de novembro de 1999.
pedaços do programa podem ser assistido no site da tv cultura ou no youtube:
Entrevista realizada pelo programa Roda Viva da TV Cultura no dia 7 de novembro de 1999.
pedaços do programa podem ser assistido no site da tv cultura ou no youtube:
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